Day: 30 de agosto de 2025

“É a casa da mãe Joana?”

Pois é! Uma frase que a gente ouve desde criança, mas pouca gente se pergunta como ela surgiu. A expressão é bem comum em Portugal e no Brasil, e teria sua origem na Idade Média, na corte de Joana I de Nápoles (1325-1382). A dita-cuja foi rainha de Nápoles, condessa da Provence e Forcalquier e princesa de Acaia.

História real ou não, conta-se que no período em que se refugiou da peste e de conflitos políticos em Avignon (França), emitiu um decreto regulamentando o uso dos bordéis da cidade (por volta de 1347) pelos estrangeiros, instituindo diversas normas, sendo que uma delas era a de que o lugar deveria ter uma porta por onde todos entrassem.

Tempos depois, em Portugal, passou-se a se referir a “paço da mãe Joana” como sinônimo de prostíbulo. Por sinal, o termo “paço” não é tão comum no Brasil e em outros países lusófonos, porém significa palácio, sede… Ex: Paço Municipal = Palácio Municipal. Seja como for, “Paço da mãe Joana” significava um local sem ordem nem limites. Com o perdão da palavra, aquilo que no Brasil chamamos vulgarmente de “zona”.

No Brasil, disseminou-se a expressão “casa da mãe Joana”. Aqui, em vez de “paço”, usamos “casa”, bem mais comum em terras tupiniquins. E o significado se ampliou: passou a designar qualquer lugar ou situação com total permissividade, desordem e onde cada um faz o que quer, pois não há nenhuma autoridade que imponha ordem e respeito.

Há quem use também aqui no Brasil “casa da Maria Joana”, uma variação do termo, mas a Rainha Joana I não tinha Maria no nome. Como enxertaram Maria no nome dessa figura histórica ninguém faz ideia, mas sabemos que os brasileiros são muito criativos…

Então já sabe, quando ouvir “casa da mãe Joana”, tenha em conta que essa expressão existe há quase 700 anos. Já pensou?!

Marcos Antonio Fiorito